Os livros, tão poderosos em sua essência como frágeis em sua matéria!
Às vezes, nós nos acercamos a eles com a ingenuidade de só querer ler, mais não é tão fácil, eles terminam por fazer-nos pensar, sonhar, e incluso por empurrar-nos até ir ao encontro e escutar os rumores que falaram para o escritor em seu pensamento silencioso. E isso, numa sociedade que foge das profundidades da alma, do pensamento e das emoções, não tem outra saída que ser proscrito e condenado.
Este é o apocalíptico mundo que projeta Bradbury em seu livro Fahrenheit 451, levado ao cinema nos 66 por Truffaut. A estética futurista que encontramos no filme, em nosso olhar moderno, adquire um velo tenro e engraçado, mas o paradoxo reside em que a mensagem é plenamente atual. Essa imposição da felicidade por decreto, felicidade vácua que nos chega a través da televisão, da estereotipada imagem de família perfeita, das relações insubstanciais que às vezes alimentam nossa vida social, da falta de busca e consciência de verdades e do gregarismo que isso desencadeia... Todo isso, e mais, é corajosamente representado.
Num mundo assim, os bombeiros provocam os fogaréu com os montões de livros confiscados, e todos esquecem aqueles tempos onde os bombeiros eram queimes os apagavam. De fato, Fahrenheit - 451 é a temperatura na que arde e inflama o papel!
Nenhum comentário:
Postar um comentário