
Ninguém tem dúvida alguma da figura de Mozart como gênio universal. É por isso, que ainda é mais difícil afundar até achar o ser humano que se esconde no artista. Até encontrar o drama vital do artista que tenta sobreviver numa sociedade que lhe é adversa, ou quanto menos que não aceita seu afã de ser "livre".
Norbert Elias, sociólogo alemão e grande pensador do século XX, em "Mozart. Sociologia de um gênio", empreende essa dupla trilha: por uma parte, a de conhecer o Mozart humano que tem aspirações, que quer agradar à corte ao mesmo tempo em que morde sua mão, que sonha com ser um perfil de músico livre que ainda não existe como padrão, e que finalmente sucumbe e é marginado no intento; e por outra parte, a de retratar uma sociedade na que ainda é evidente a supremacia do poder da aristocracia sobre a burguesia, na qual o músico, como burguês que é, forma parte da servidão da aristocracia dentro do esquema traçado socialmente.
O livro não é uma biografia, também não uma história dum gênio nem da sua música. O livro é um reflexo, uma análise de todos os processos da vida de Mozart em sociedade, uma teia de aranha de filos entre Mozart e o mundo. E desde esta perspectiva, a obra cria em nós uma imagem muito mais poliédrica do compositor, consegue aproximar-nos ao ser humano e, de soslaio, nos proporciona um melhor e mais profundo entendimento da grandeza da sua música.
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