quarta-feira, 28 de abril de 2010

Sublinhando ao sublime Bachelard


Quanto amo sublinhar os livros...

Eu sei, e quase compreendo, que haverá muitos detractores. Mas ante frases e mais frases inspiradas e inspiradoras no devenir de um livro, eu não consigo passar página sem iluminar esses trexinhos com meu super-amarelo florescente!

Ainda mais em português onde sublinhar se parece tanto a sublimar...

Olhem esta primeira passagem de A Poética do Devaneio, de Gaston Bachelard, e falem depois sem poderiam censurar esse meu foco de luz:

"Nas horas de grandes achados, uma imagem poética pode ser o germe de um mundo, o germe de um universo imaginado diante do devaneio de um poeta."

O preto e branco de estas duas linhas, uma vez as focamos com nosso amarelo e lemos e relemos mais uma vez, nos levam frente aos nossos poetas mais amados e nos abrem as portas a imaginar seus pensamentos poéticos trepando como hera sobre ar. Hera que atinge terreno aquoso e fértil, onde o resto de mortais só chegamos levados da sua mão generosa, e onde se nos permite escutar os rumores de esse sim fim de mundos sonhados pela alma sensível e sabia dos poetas.

Lindo devaneio sobre o devaneio ao que induz Bachelard!

E o devaneio amoroso? o ensalçamento do amor pelas palavras? a exaltação do coração feito poesia? Deixem-me sublinhar também este pedacinho, por favor:

"Ainda existem almas para as quais o amor é o contato de duas poesias, a fusão de dois devaneios. O romance por cartas exprime o amor numa bela emulação das imagens e das metáforas. Para dizer um amor, é preciso escrever. Nunca se escreve demais.... O amor nunca termina de exprimir-se e se exprime tanto melhor quanto mais poeticamente é sonhado.... as grandes paixões se preparam em grandes devaneios. Mutilamos a realidade do amor quando a separamos de toda a sua irrealidade."

Com meu amarelo, me uno à reivindicação Bachelardiana do devanear idealizante, embelecedor... Amor epistolado onde buscamos às mais belas palavras para o ausente, onde o anelo se transforma em poesia, onde o sonhador se poetiza. Hoje em dia, o amor epistolado viaja mais comummente por mensagens de celular de 140 caracteres em Espanha, de 70 caracteres em Brasil. Minha capacidade de síntese agradece haver namorado em Barcelona ;)

A Poética do Devaneio é um verdadeiro mestre no arte de sonhar ao qual sublinhei muitas mais vezes das dois que confessei. Agora é tarde de mais, mas espero em alguma outra ocasião seguir falando de aqueles maravilhosos fragmentos do livro que emanam luz própria e aos quais eu só faço que emmarcar com um toque de tinta florescente!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

México lindo!!


7 dias em México! Taquitos, quesadillas, burritos, tortitas, molecito... tudo bem picosito... tequilitas, mañanitas... isto também é arte e cultura, não é? mmmmmmhhh... quê delicioso quando arte e cultura se comem, se bebem, se cheiram...!!!! Magnífico!!! Só têm um lado ruim, que é a sua instalação em nós :(
Também uno não consegue desinstalar da sua retina, da sua pele... a experimentação do Teotihuacan. Só imaginem que foi chamado assim pelos méxicas porque significava "lugar onde foram feitos os Deus", é difícil falar alguma coisa mais que isto. É uma herança imponente que chega a nós exalando uma potente espiritualidade, sabedoria e sensibilidade de uma cultura da qual nem se sabe o nome nem etnia, mas que um acaba amando!
O Museu de antropologia, pedagogia fascinante! Consegue fazer um recorrido do homem pré-histórico da África, da suas migrações, dos seus assentamentos, da sua chegada ao continente americano, da sua tremenda evolução no México, das sua ramificações em dezenas de diferentes culturas e etnias, etc, etc... até a chegada de nós, os malditos espanholes! Assombrosa, detalhada, apaixonante e tremendamente esclarecedora.
Viajamos algumas horas de carro e nos encontramos com Morelia, cidade colonial próxima ao DF, puro reflexo do lado mais lindo do nosso legado espanhol: igrejas, palácios, templos, bibliotecas, conservatórios, aquedutos... uma maravilha.
Assim como em Morelia, a mala cheia de arte europeu que trazemos com a colonização, começa a ficar a um lado com a aparição do arte propriamente mexicano que volta a renascer no século XX, do qual, dois grandes exponentes seriam Frida Kahlo e Diego Rivera.
Na casa-museu de Frida, achamos a expressão da sua obra, da sua vida. Honestamente, eu não consigo conectar com sua obra, e inclusive poderia dizer, sem que ninguém fique ofendido, que para mim é feia, que é ingrata. Mas a través dela, consigo conectar com sua vida, isto transforma minha visão e então consigo valorizar de uma outra forma sua obra e a forte significação que transpira. Para mim, parece uma ensonhadora válvula de escape do dor da sua vida, e isso se que me atinge.
Por último, não quisera deixar de mencionar os Murales de Diego Rivera que se encontram no Palácio Nacional. Coloridos e exuberantes prismas da história da México contada sem medo nem reservas e com muito orgulho e rebeldia. A grandiosidade que adquirem ao vivo é uma experiência inesquecível!
México, México lindo! Refugio de uma eternidade de tesouros! ;)